sábado, 11 de dezembro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Hoje não me apetece ser correcta. Não me apetece dizer que tudo tem um sentido, que existem pessoas boas e que tudo vai acabar bem. Tenho tido dificuldades em entender o decorrer dos meus dias. Não por culpa dos outros ( a tendência inevitável..) mas pela minha agonizante teimosia. Nascem cinzentos, adormecem de agua a escorrer pelo vidro. Onde tu me faltas, neste sopro de horas sem norte. Caminho por entre estas ruas cheias de pedaços de mundo e nos meus passos reconheço-te o deambular sereno. Procuro o sorriso, revejo o adeus e, no entendimento possível desta merda que e a vida, tento convencer-me de que o facto de eu estar zangada contigo, talvez te traga de volta só para me pedires desculpa e voltares a levar pelo braço aos dias de sol.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Saio para a rua. Encontro-me a cada reflexo e pergunto a cada segundo por onde andas. Não te consigo encontrar por entre estas paredes que me cercam. Não me respondes desta vez. A minha cara lavada, as minhas mãos não dizem nada. Responde-me. Aparece e senta-te junto a mim ao pé de todas as outras coisas a que chamo casa.
terça-feira, 27 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
Mesmo mundo
Tento entender porque razão estás deitado nessa cama mais uma vez. Evitás-te toda a tua vida que ela te chamasse. Tiveste a mesma cama, no mesmo quarto cheio de memórias durante 40 anos. A vida não te trouxe tudo o que sonhavas e, os teus medos, viveram na tua sombra como vizinhos barulhentos cultivando o teu silêncio e indiferença. E foram crescendo na tua cabeça todos os finais possíveis desta tua longa metragem que é a vida. No conforto da tua cadeira, assistis-te a outros desfechos sem dizer uma palavra. Afasta-se o que se quer para que não chegue perto. Não se fala no assunto e ele desaparece. Queria voltar aos dias de sol passados contigo. Voltar ao cheiro do mar, aos dias longos e calmos. Voltar a agarrar-me ao teu braço e deixar-me levar pelo som da tua voz e pelo teu sorriso. Sempre claro e sincero. Sentir o teu perfume e o cheiro a roupa lavada perfeitamente engomada. Mais ninguém tem o teu cheiro. Ouvir-te falar de quando eras pequeno. Histórias dos teus irmãos, do carácter austero do teu pai e da delicadeza da tua mãe. Ouvir-te falar de como cresces-te na tua profissão e de que a tua escolha poderia ter sido outra se o tempo o tivesse permitido. Permitiu mais tarde e talvez tenhas achado que já era outono, tempo de colher não de
semear. Tento entender porque estás deitado nessa cama. Entender o porquê de ao olharmos ambos pela janela, somos do mesmo mundo mas o mundo lá fora fala uma outra língua. Diferente da nossa, que só nós dois entendemos.
semear. Tento entender porque estás deitado nessa cama. Entender o porquê de ao olharmos ambos pela janela, somos do mesmo mundo mas o mundo lá fora fala uma outra língua. Diferente da nossa, que só nós dois entendemos.
Assinar:
Postagens (Atom)