quarta-feira, 13 de maio de 2015

Descobri hoje que ainda estou zangada contigo. Descobri hoje que a dormencia que me acompanha desde que te deixei, desde que a minha vida mudou, continua a fazer parte de mim, mesmo que eu tente com todas as forcas expulsa-la...O meu coraco aguentou, aguenta, guarda religiosamente o que sobra de todos os pedacos de vida, de gente e devo agradecer-lhe por isso. A ti, porem, nao consigo ainda perdoar... e este perdoar nao vem de nao te amar, vem precisamente desse amor que transbordou toda a minha vida e do qual eu nao tinha a certeza do quao grande que era. Todas as vidas se salvam por algum motivo e o meu foste tu. Nao tinha consciencia disso ate aquele dia chegar. Chegou entao, imperdoavel e desnecessario e arrasou a fundacao do nosso existir. Como sobreviver a esse dia e a todos os outros que se seguiram? Nao sei, honestamente, hoje escrevo estas palavras, relembro tudo novamente mas os pormenores parecem pedacos de sonho sem razao. E eu, assim dormente continuarei a amar como tu me ensinaste, com um sorriso, tranquila, muitas vezes em silencio e sempre, sempre, com cheirinho a sabonete. No meu coracao cheio de gavetas, muitas estao cheias de ti e que bom que isso e...

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Voas alto sobre o mundo, como um bule no ceu profundo...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Os que amei, onde estão? Idos, dispersos, arrastados no giro dos tufões, Levados, como em sonho, entre visões, Na fuga, no ruir dos universos... E eu mesmo, com os pés também imersos Na corrente e à mercê dos turbilhões, Só vejo espuma lívida, em cachões, E entre ela, aqui e ali, vultos submersos... Mas se paro um momento, se consigo Fechar os olhos, sinto-os a meu lado De novo, esses que amei vivem comigo, Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também, Juntos no antigo amor, no amor sagrado, Na comunhão ideal do eterno Bem. Antero de Quental, in "Sonetos

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Mudanca necessaria. Encontrei hoje um novo eu, ou talvez nao tao novo assim, apenas adormecido.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Nao sei porque me acompanha este sinistro e cinzento humor. Hoje ando como que arrastada por ventos tristes e pensamentos nostalgicos. Sera que so eu sinto esta infinita insatisfacao?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Hoje não me apetece ser correcta. Não me apetece dizer que tudo tem um sentido, que existem pessoas boas e que tudo vai acabar bem. Tenho tido dificuldades em entender o decorrer dos meus dias. Não por culpa dos outros ( a tendência inevitável..) mas pela minha agonizante teimosia. Nascem cinzentos, adormecem de agua a escorrer pelo vidro. Onde tu me faltas, neste sopro de horas sem norte. Caminho por entre estas ruas cheias de pedaços de mundo e nos meus passos reconheço-te o deambular sereno. Procuro o sorriso, revejo o adeus e, no entendimento possível desta merda que e a vida, tento convencer-me de que o facto de eu estar zangada contigo, talvez te traga de volta só para me pedires desculpa e voltares a levar pelo braço aos dias de sol.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Saio para a rua. Encontro-me a cada reflexo e pergunto a cada segundo por onde andas. Não te consigo encontrar por entre estas paredes que me cercam. Não me respondes desta vez. A minha cara lavada, as minhas mãos não dizem nada. Responde-me. Aparece e senta-te junto a mim ao pé de todas as outras coisas a que chamo casa.

terça-feira, 27 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Hoje sou eu quem sente o vazio. Hoje sou eu que fico calada. Quero entender mas nao consigo. Quero correr e continuo parada.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Mesmo mundo

Tento entender porque razão estás deitado nessa cama mais uma vez. Evitás-te toda a tua vida que ela te chamasse. Tiveste a mesma cama, no mesmo quarto cheio de memórias durante 40 anos. A vida não te trouxe tudo o que sonhavas e, os teus medos, viveram na tua sombra como vizinhos barulhentos cultivando o teu silêncio e indiferença. E foram crescendo na tua cabeça todos os finais possíveis desta tua longa metragem que é a vida. No conforto da tua cadeira, assistis-te a outros desfechos sem dizer uma palavra. Afasta-se o que se quer para que não chegue perto. Não se fala no assunto e ele desaparece. Queria voltar aos dias de sol passados contigo. Voltar ao cheiro do mar, aos dias longos e calmos. Voltar a agarrar-me ao teu braço e deixar-me levar pelo som da tua voz e pelo teu sorriso. Sempre claro e sincero. Sentir o teu perfume e o cheiro a roupa lavada perfeitamente engomada. Mais ninguém tem o teu cheiro. Ouvir-te falar de quando eras pequeno. Histórias dos teus irmãos, do carácter austero do teu pai e da delicadeza da tua mãe. Ouvir-te falar de como cresces-te na tua profissão e de que a tua escolha poderia ter sido outra se o tempo o tivesse permitido. Permitiu mais tarde e talvez tenhas achado que já era outono, tempo de colher não de
semear. Tento entender porque estás deitado nessa cama. Entender o porquê de ao olharmos ambos pela janela, somos do mesmo mundo mas o mundo lá fora fala uma outra língua. Diferente da nossa, que só nós dois entendemos.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Ser portugues é ser mais alto...

Nada se compara ao ser portugues, digo isto com orgulho e nao com desdem, se nao reparem: em que outro país se observa o querer saber que tempo faz no estrangeiro no meio de um telefonema de atendimento ao publico?Eu gostaria de obter informacao sobre um documento importante e, do outro lado da linha, alguém queria saber: " entao e como está o tempo aí?é muito triste e frio nao é?Pois, é assim, conheco muitos casais que se separam só por causa do dinheiro, um fica na suica e a mulher e os filhos cá, nao tem jeito nenhum...Olhe, mas em relacao ao que queria saber é assim[....]. Nao gaste mais dinheiro vá lá!Uma boa tarde!".
Maravilhoso, nao?só me apercebi do sucedido depois de desligar e desatei a rir porque as saudades desta caracteristica tao nossa, a preocupacao com os compatriotas(ou apenas cuscovilhice, nao interessa..)é tao esclarecedora de que a nossa cultura é sim mais alta em tudo, que depois do riso veio a saudade ainda mais apertada...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Quando pensas ter a idade certa para seres quem genuinamente és, descobres que a vida te ofereceu tantos indesejados convites que te perdeste no tempo e hoje acordaste e quem tu realmente és é estranho e sem entranhas...Cheia de sombras de dúvidas, perguntas-te onde estás, o que é feito daqueles sonhos, daquele sorriso sincero e fiel ao que eras, que sempre era mais do que és hoje, que é o próximo ao ser nada, ou quase. Gostavas de voltar ao lugar no tempo onde a tua mente pensava tranquila, sem mares de pensamentos sem sentido. Pensamentos saudáveis, naturais talvez porque doidos somos todos, apesar de alguns de nós entenderem que o ser louco é só para os loucos e que esses moram na casa ao lado, ou noutra rua...Hoje o dia veio frio mas plácido, as ruas cobertas de branco, os sorrisos gelados mas abertos...E por onde eu caminho e vou sorrindo, vou tentando descobrir onde fiquei, quem é o reflexo nas montras, nas janelas dos autocarros e finalmente, no espelho para onde olho antes de deitar.